Oi! Aqui é o Luiz da MEVBrasil!

Tudo bem por aí?

Por aqui foi uma semana muuuuuuuito corrida. Muito trabalho. Tanto que não consegui tirar um momento antes para pensar no que escrever essa semana.

Quando sentei para te escrever aconteceu uma coisa bem curiosa: não vinha nada na minha cabeça, não sentia nada. Já aconteceu isso com você? Estar com a vida tão corrida que você nem presta atenção em você mesmo, nem pensa mais para fazer, só faz? Quando eu parei para escrever percebi que estava no automático a semana toda. 

Isso é muito frequente na nossa vida como médicos. Principalmente quando você trabalha em vários cenários diferentes. Aquela correria de sair de um hospital, ir para o consultório depois para o plantão, sem nem parar para respirar. Um paciente atrás do outro, sem intervalo. A gente vira uma máquina de atender: faz história, diagnóstico, prescrição, próximo! Tudo muito rápido, tudo depressa. Não é assim?

Só que não é apenas por causa do nosso trabalho. Parece que o mundo todo está acelerado. Você não tem essa impressão? Eu li a um tempo atrás um livro chamado “Aceleração e alienação” de um sociólogo alemão chamado Hartmut Rosa. Ele fala de uma ideia bem interessante de que estamos vivendo uma aceleração da vida e isso está fazendo com que a gente viva menos e não mais. Vou te explicar.

Hoje nós conseguimos fazer muito mais em muito menos tempo. E queremos cada vez fazer mais. Estamos querendo comprimir a vida para que caiba mais coisas dentro dela. Só que isso tem um preço que é não conseguir experimentar direito tudo que acontece. Precisamos de um tempo para sentir, mas fazendo tudo rápido demais, não conseguimos nos conectar com o que acontece. É como se a gente quisesse comer muito rápido para comer mais. Por consequência, não sentimos nem o gosto da comida. 

O que estamos fazendo com a vida é meio aquilo que companhias de turismo fazem com excursões para a Europa em que você vai visitar 10 países em 7 dias kkkkkk. A pessoa passa por Paris, Roma, Lisboa, Londres, Atenas e sabe lá mais onde, mas não fica em nenhuma dela tempo suficiente para experimentar Paris, Roma, Lisboa, Londres ou Atenas. Ou seja, você até vê a Europa mas não vive a Europa.

Será que não é isso que a nossa vida toda está virando? Não estamos correndo tanto e comprimindo tantas coisas em tão pouco tempo que não temos mais real contato com nada? 

Sabe como eu me senti com essa experiência? Senti uma profunda solidão de mim mesmo. Como se eu tivesse tão desconectado de mim e que não conseguia me ouvir, me sentir, pensar.

Agora imagina como isso afeta nosso papel de médicos. Um paciente atrás do outro atrás do outro sem tempo para uma conexão de verdade com cada caso, sem tempo para fazer da consulta um encontro de cuidado verdadeiro. 

O livro do Hartmut Rosa fala que essa aceleração tira tanto o nosso contato com tudo na vida que leva a perda de quem nós somos, a alienação. Como vamos conseguir ser médicos de verdade sem conseguir experimentar o cuidado? A gente se perde nisso. Atendemos muito, mas não estivemos de verdade com ninguém. E o paciente sente. Ele vê que não estamos presentes 100% ali.

Dá muito o que pensar sobre isso. Eu pelo menos quero tentar andar um pouco mais devagar para sentir o gosto da vida e não só viver.

O que você acha?

Abração!

Luiz

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