Oi! Tudo bem?
Aqui é o Luiz!

Sumi mas voltei kkkk

Vou te perguntar uma coisa com sinceridade e quero que você responda muito rápido. Você é apaixonado pela medicina? Você ama ser médico?

Se você respondeu que sim, é hora de pensar se isso é algo inteiramente bom.

Não me leve a mal, mas cheguei à conclusão que nós médicos somos amadores e não profissionais. Vou explicar usando uma analogia com o futebol, onde isso é bem visível.

No futebol é fácil reconhecer a diferença entre amadores e profissionais, entre os jogos das grande ligas e um campeonato amador. O campo é diferente, a qualidade dos jogadores, a estrutura do torneio, o marketing envolvido, etc. Tudo é muito diferente, principalmente o comportamento e a atitude. É outro nível de… profissionalismo. 

O jogador profissional é um personagem, um ator dentro do campo.  Ele joga mesmo sem motivação porque é seu trabalho. Ele ama o que faz mas não depende da paixão. É uma relação de respeito pelo futebol enquanto profissão. O jogador amador, por outro lado, joga quando tem vontade. É uma postura bem diferente.

Claro, a medicina não é futebol. Mas essa comparação ajuda a ver a diferença entre profissional e amador.

Aprendemos a ser bons médicos. A cuidar dos doentes. A sermos éticos com nossos pacientes e colegas. Nós vemos a medicina como missão, vocação. Chegamos a dizer que é um sacerdócio e que só pode ser médico quem “ama” cuidar do outro. Sim, nesse sentido somos “amadores”, e isso não é ruim. 

Mas também somos “amadores” em outro sentido e esse não é bom: com frequência não profissionalizamos a nossa prática, entendendo a necessidade de compreender os aspectos dela além do cuidado, como gestão, marketing, custo, eficiência. 

Amamos a medicina mas permanecemos pensando como amadores quando o assunto é o serviço que prestamos. Não conhecemos as boas práticas que outros ramos profissionais conhecem bem, as ferramentas que utilizam para garantir resultados consistentes, altos níveis de serviço, reduzir desperdício. Com exceção de grandes hospitais e centros de excelência, não é comum ver essas práticas em consultórios e clínicas, por exemplo.

Amamos a medicina mas permanecemos pensando como amadores quando o assunto é valorizar o serviço que prestamos. A ideia da medicina como missão e vocação torna assuntos como precificação e lucro um tabu difícil de discutir. Coisa que outros profissionais não têm o menor problema em tratar, afinal, todo mundo precisa pagar suas contas. Não profissionalizar o consultório, mantê-lo no amadorismo, é o caminho do desastre. 

Afinal, ninguém vive de amor. Nem mesmo os apaixonados.

Pensar com a cabeça de um profissional, que entende também do negócio, do mercado, que consegue pensar o paciente também como cliente, não é uma traição. Aprender sobre isso tudo vai elevar muito o nível do serviço e cuidado que prestamos.

Se você respondeu que é apaixonado pela medicina lá no começo desse email, quero te propor uma outra relação com a profissão. Como acontece com um relacionamento amoroso de longos anos, tudo começa com a paixão, que é forte mas com um pouco de sofrimento envolvido. A paixão se acalma e vira amor. O amor tem que ser acompanhado de uma amizade para durar. Mas no fim, é preciso respeito. A paixão é o território do amador e o respeito é o do profissional. 

Bom, não sei o que você pensa sobre isso. Se quiser me contar vai ser um prazer.

Abraço

Luiz

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