Olá, tudo bem?
Aqui é o Luiz!

Há quanto tempo não trocamos uma ideia não é?
Hoje tive vontade de compartilhar com você um pensamento que não tem saído da minha cabeça: o risco que temos hoje de perder a alma da Medicina.

A alma da medicina e o coração do médico é a esperança. Tudo que fazemos na medicina gira em torno da esperança. Os nossos pacientes nos procuram sofrendo não somente por uma doença, mas sofrendo pela dúvida se vão melhorar ou não. E o que eles buscam na gente é mais que cura, é esperança.

Eu li um livro muito legal sobre o papel da esperança na medicina chamado Anatomy of Hope do professor Jerome Groopman, da Universidade de Harvard, que é hematologista e oncologista. Nesse livro ele diz que esperança é a capacidade de reconhecer, mesmo diante da realidade, as capacidades e possibilidades de um futuro melhor. É diferente, muito diferente de ser otimista. É ter a ideia de que o futuro não está determinado e é possível fazer sempre algo e buscar possibilidades.

O que a gente deve fazer sempre como médicos é ser fonte de esperança realista. Mas ninguém pode ser fonte de algo que não tem. Se o médico perder a esperança ele perdeu tudo que ele é. A esperança é a alma de tudo na medicina.

Existem três formas de esperança que precisamos ter. A primeira é a esperança no paciente, de que ele pode melhorar. A segunda a esperança no nosso trabalho, na nossa ação, de que ela faz diferença. E terceiro, a esperança na própria carreira dentro da medicina, de que temos um futuro dentro da profissão.

Aqui que eu tenho visto três importantes ameaças à essas esperanças do médico. Uma para cada esperança que acabei de te mostrar.

A primeira ameaça é o burnout, o esgotamento. Uma dos sintomas mais sérios do burnout é o cinismo e o distanciamento emocional do paciente. A gente deixa de ser importar, porque não aguenta mais sofrer junto com o paciente que não melhora.

A segunda é a ameaça do próprio modelo como a medicina funciona hoje que limita nossa liberdade de agir, é baseada em poucas ferramentas de intervenção, oferece poucos minutos de contato como paciente e faz com que a gente não consiga ter bons resultados clínicos. A impressão que a gente tem é que não conseguimos fazer nada pelo paciente.

A terceira vem da desvalorização da nossa carreira. Isso mata nossa esperança de ter um bom futuro na medicina, de que podemos viver bem da nossa profissão.

Deixar a esperança morrer seria o fim da Medicina. Não podemos deixar isso acontecer.

Eu acredito, tenho esperança, de que podemos reverter isso. É justamente isso que é esperança: acreditar que existem caminhos, de que o futuro pode ser reescrito. Comecei a trabalhar com medicina do estilo de vida justamente por isso, porque eu acredito no paciente, no poder dele de mudar e no meu de ajudar ele na mudança.

Eu acredito que podemos reverter a desvalorização do nosso trabalho. O primeiro passo é a gente mesmo dar mais valor para ele. Começa pela reorganização do nosso consultório, onde a gente pode fazer a medicina do jeito que a gente acredita e conseguir receber o valor justo pelo nosso trabalho. E não tenha dúvida: os pacientes valorizam sim quem cultiva a esperança deles. Serão todos? Claro que não! Mas como eu gosto de dizer, nem todo paciente é pra gente e a gente não é para todo paciente.

Eu acredito que podemos cultivar a esperança uns dos outros fechando o nosso ouvido para o coro dos pessimistas (alguns até usando a desesperança e o medo para vender coisas inúteis pra gente), e buscando estar com quem deseja uma medicina diferente.

E por ultimo, eu também acredito que a medicina poder ser boa. Pra gente e para o paciente.

E você? Espero que não tenha perdido a esperança. Me conta como estão as coisas por ai.

Abração

Luiz